Formação profissional do professor de matemática: um movimento necessário, mas insuficiente
DOI:
10.37001/remat25269062v25id802Palabras clave:
Formação de Professores, Licenciaturas em Matemática, Ensino SuperiorResumen
Apesar da insistência de discursos que vinculam a prática docente a uma visão vocacional, há um entendimento relativamente consensuado, compartilhado por atores que compõem o campo da educação matemática, que compreende o trabalho do professor como uma profissão com saberes próprios. Neste ensaio teórico, a partir de um recorte da literatura de educação, educação matemática e de formação de professores, procuramos, em primeiro lugar, evidenciar as disputas e os caminhos por significações que levaram à compressão de docência como uma profissão com uma epistemologia própria. Como desdobramento, mediante o pressuposto de se conceber a formação docente como uma formação profissional, há pesquisas sinalizando para a inadequação das estruturas curriculares de diversas licenciaturas em matemática, sobretudo questionando a centralidade concedida aos conteúdos matemáticos. Menos consensual, no entanto, são os questionamentos em relação aos pressupostos de escola e de educação. Em outros termos, quais são os projetos de escola que subjazem a defesa de uma formação profissional docente? Em que se referencia? Com o que se compromete? Isso nos permite afirmarmos que, apesar de necessário, o movimento em direção à profissionalização docente é insuficiente. Diante dessa constatação, sustentamos a necessidade e a urgência de repensar a formação do professor de matemática para além das formulações guiadas por referenciais hegemonizados.
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